Quando encontramos uma resposta que nós convém, ignoramos. Deixamos em um cantinho da mente para não encontrá-la. Ou que, na melhor das hipóteses, não seja encontrado tão cedo. Mas quem define se é cedo ou se é tarde?
E quando não estamos preparados para lidar com a situação imposta, como proceder? Espere. Logo vem o tempo, em mais uma de suas memoráveis peripécias, tratando de fazer-lhe esquecer do que fugíamos. Em um estágio de paz ilusória. E é aí que mora o perigo.
E é no exato momento que você esquece, ou melhor, no momento em que deixa de lembrar que, sem que nem pra que, tropeçamos no que tanto evitamos, E ´é nesse momento que damos embasamento à sábia frase: “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. Já dizia Renato Russo,em sabedoria ímpar. E é quando a resposta volta a persistir em nossa mente ocupando,gradativamente, mais e mais espaço em nossos dias que deparamo-nos com outra frustração. E outra. E outra. E pagamos na mesma moeda.
Frustração com frustração. Frustração mais frustração. Uma porção de operações matemáticas onde a frustração se multiplica, jamais reduz, resultando em um purgatório pessoal. E é nesse momento que as peças mudam de lugar. É nesse momento que a abstração transforma-se em utopia e quandoa descoberta abre um leque de outros questionamentos diante dos teus olhos. E por encontrarmos outros questionamentos diante do que nos fora levado a conhecimento - mesmo que íntimo - inventamos outros e mais outros. E essas novas perguntas têm o objetivo de fazer com que a primogênita não esteja no centro de nossas atenções. Essa dose carregada de um quase-desespero, de um quase - sei, de um quase- lá, de um QUASE-QUALQUER-COISA que me incomoda.
O que me incomoda são essas ações infrutíferas que não me levam a lugar algum, ou melhor, não me levam até onde quero chegar. E para que? Para escapar da verdade. Da nossa verdade. Voltamos para o mesmo ponto.
E que humor encontraria no fato de temermos inclusive o que nós pertence?
Continua sendo essa a minha realidade. Correndo para o lado oposto, não exatamente por onde segue o fluxo. Não sigo por convenção, também não nado contra a maré. O que importa? O medo. O medo importa porque é o que prevalece. É ele que vence batalhas e mais batalhas até o momento da coroação, quando reina em nosso ser. Essa monocracia enfraquece vínculos pré- estabelecidos, devasta valores intrínsecos, destrói crenças e abate esperanças. E a questão é que, diariamente, encontramo-nos cercados de acontecimentos carregados o suficiente para confundir nossos sentidos. Acontecimentos que a cabeça nem sempre acompanha, que a razão nem sempre explica, acontecimentos detentores da maior das ausências, de tão acumulada que está.
E é essa ausência que me intriga. É essa indisposição para rotinas, essa inexistência de intervalos regulares, essa ausência de hora marcada e é tudo tão... indefinido, por assim dizer. E é nesses momentos que a minha sensibilidade trabalha redobrado, faz hora extra se preciso. Avalio o que quer que seja exposto, mesmo que haja dificuldade para acompanhar o excesso de informações e significados.
E são esses significados que me intrigam. São esses significados que emanam de todas as direções por intermédio de fluxos inconstantes e reticentes que envolvem-me por todos os lados e, no momento em que convergem, apuram meus sentidos. E são esses intervalos irregulares que instigam o meu ser. Instigam sim. Para mais. É que, uma hora ou outra, de uma forma ou de outra, levando o tempo que for... Interpreto-os. Um por um. Reflito e calo.
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E encontrar a fonte do que fora captado por meus sonares de nada serviria. Não quero que cessem. E eu não quero piscar os olhos, não quero perder nada.
Do destino de minhas respostas, cuido eu. Enquanto isso, deixa-me concluir algo que me baste.
Por ora.
*Quero que meus detectores continuem a soar, em alerta de emergência, buscando qualquer indício de que sentes o mesmo.
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