quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Se eu peco é na vontade.

Já vive noites como essa antes. Noites em que tudo é nada. E o nada não faz sentido algum.

E é em noites como essa que considero incompreensível o estágio que me encontro. Seja lá em que aspecto da vida que vier a analisar. Um turbilhão de emoções fora despertados por uma canção qualquer. E se pudesse ver-me agora? Como alguém me veria neste momento?

Consigo imaginar um corpo estático, sem vida, desatento para olhares. O meu.

Do outro lado um espírito vagando, sem rumo definido, a mirar(-me) um corpo. Sem associações rápidas, apesar da sensação de pertencimento. Qual a semelhança? O corpo padece. E a alma também.

O que você vê?

Uma garota que, ao ter aos ouvidos qualquer música triste, encaixa a maioria de seus sentimentos na sua letra. Nenhuma surpresa até então. Até perceber que nessas canções de desamor, existe a combinação perfeita entre a música e suas vivências. E essas melodias a embalam, como feitas para si. E, por encaixá-las em sua realidade, obtém uma quantidade considerável de outros sentimentos como resposta.

É. Eu me vejo de frente do mesmo computador, detentora de uma subvida desagradável, de ler nas entrelinhas, de enxergar o que não existe, de “só isso e nada mais”. Uma virtualidade que não condiz com a essência. Mascarando sentimentos aqui e ali, escrava que sou do meu ego, do meu orgulho, da minha geração. Mas o segredo que ninguém sabe encontra-se nos fones de ouvido, e é neles que se encontra o meu apego material. É o momento em que a minha fé é despertada, é restaurada. Uma espécie de conexão com outra realidade. Com outras possibilidades do meu ser. E é na música que encontro a minha máquina de tele transporte, levando-me ao mundo de sonhos que criei para mim. E para você.

Com o fone ao alcance dos meus ouvidos uma porção de lembranças repousam em minha mente. Lembranças que pensei ter deixado em qualquer canto que eu pudesse chamar de passado qualquer hora dessas. O meu pensamento tem nome. O meu pensamento é direcionado. E me invadem os mesmos sentimentos, que pensei ter deixado para trás depois daquele infausto dia.

Qual dia? O dia em que eles não serviam mais para mim. No dia em que decidimos seguir caminhos diferentes. No dia em que a nossa história se perdeu nesse livro de contos. Como se não lhe fosse dado à devida importância, como se suas letras não estivessem em negrito, em alto relevo, como se o conteúdo fosse desprezível. Eu não quero acreditar nisso. Sabe quando você cresce e acaba perdendo algumas peças de roupa? Pois é. Mais ou menos isso. Mas era uma roupa qualquer? Não. Era a minha favorita, era a aquela “da sorte”. Mesmo velha, desgastada, você não se desfaz. Dá sorte! Ressaltando que não significa algo comerciável, simples ou mesmo comum. E muito menos descartável como uma mera peça de roupa.

Pela comparação podemos concluir que: é, eu não meço minhas palavras. Meus gestos não são ensaiados gradativamente até o momento da grande apresentação. Minhas atitudes não são calculadas. Minha vida não é encenação, o que faz com que tenham um efeito diferente do premeditado. E o meu premeditado é criado ali, na hora. Não tenho roteiros prontos, o meu lema é quase um: vou lá, “na cara e na coragem”, levando da forma que eu puder. Tendo em foco apenas o que gostaria que acontecesse. Afinal, um “o quero que aconteça” não me cabe. Será da forma que imagino? Isso se chama esperança.

Talvez.

Eu não preciso gritar para o mundo inteiro escutar, não preciso direcioná-los a alguém, não preciso descarregá-los em meia dúzia de pessoas, não preciso manter o silêncio até que esse silêncio torne-se sufocante o suficiente a ponto de me fazer querer falar. Eu não preciso de muita coisa. Eu preciso de quase nada.

"Eu preciso, você também. Todo mundo precisa de alguém”.

Os meus sentimentos estão expostos no mais longo dos varais, onde todos possam enxergar a seqüência dessa história. Pendurados cuidadosamente, um por um, alçados pela confiabilidade da existência de sentimento. Não apenas como prova palpável, que seja, mas como EVIDÊNCIA, para que olhes o terreno da tua casa e encontre beleza por lá. Sorria para teu varal, lembrando com ternura do que aconteceu. Que meu silêncio não mais seja questionado, tuas nuances jamais superaram o sentimento.

* E não consegui perceber que, com teu encanto, fizeste com eu virasse a placa de " Não estou pra ninguém" fincada em meu coração.

Se eu peco é na vontade. De ter um amor de verdade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

E o dom de fazer doer.


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No momento em que essas lembranças invadem o meu pensamento, uma incontrolável onda de desalento invade cada canto do meu ser.

E a consciência aparece na maré baixa. É quando a maré baixa que posso observar as conseqüências devastadoras feitas em mim.

Já é tarde, marca o relógio. .


*Não eu não quero lembrar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Só a reciprocidade mantém as portas abertas. Afinal, o amor é uma dança que só vale a dois.


- Indecisão no meu olhar? Eu vou onde a vida me levar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Definição apropriada partida dos lábios teus: Incógnita.

Mas não quer dizer que seja impossível me acompanhar. E a Indecisão por ti ressaltada é meramente momentânea. Veja o tempo. O tempo como aliado nos últimos dias. Em contraposição ao universo que outrora conspirou contra nós.

Intangível? Não.

Pequenas são as barreiras impostas por meu coração diante do que TENDE A SER.
Apenas para (com)provar despertos sentimentos, teus.

Ou seriam meus?

*Lá fora chovia.

Desenhe um futuro pra nós dois. Traceje os detalhes, atento apenas para não restringir ou limitar nossos caminhos. Atento ao que floresce dentro de mim, guardado pra ti. Por mérito.

Faz sentido a palavra PRESENTE.
"O que nós resta é o aqui e o agora".

*E teu sorriso brilhava.
E depois de encontrá-lo, no amor, nada mais eu via.
*Cessou, guarda-chuva encobria.

E o sol reluzente sorria, ele sorria.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Já que ela não era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada
tivesse perdido. Ela não sentiu desespero. Também o que é que ela podia
fazer? Pois ela era crônica. Tristeza era luxo"

- Clarice Lispector -

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

About me.

Um abarrotado de sentimentos dotados de variáveis intensidades, pensamentos fracionados, talvez um tanto insensatos. Certezas moldadas por uma mente incoerente, essa é a minha história.

Encontrar-me entre a espera e a ação é comum. Minhas intenções são encobertas por forjada indecisão, minhas certezas mascaradas pela ausência de respostas certeiras. Simples. (Simples?) Com toda a amplitude dos termos que possam vir a repousar na mente de quem lê. Quer saber do que mais? Conteste meus argumentos. E embasado em minhas conclusões, encontre as tuas. Possivelmente terá algumas das respostas que não tive ao escrever.

Então, Leia-me.

Decifre cada um dos códigos inesperados que emanam do meu ser. Por intermédio de fluxos constantes e intensos. Tente acompanhar meu ritmo. Tente se adaptar as minhas estações (nem sempre tão transitórias como aparentam).

É isso, meu EU- femismo.

Meu seguir está intimamente ligado com meus ritmos variáveis, no “não-desistir” que impus a minha vida não lembro como nem porquê. Mas nunca desisti de não desistir. Talvez uma das minhas maiores qualidades... ou defeitos. Depende do referencial. Querer? Até quis. Mas querer não é poder.

Clichê.

Não faço idéia dos caminhos que devo seguir, mas sei bem onde quero chegar. Tenho uma porção de sonhos que não cabem em mim, um cotidiano repleto de epifanias, algumas poucas superstições, uma bagagem super saturada de aprendizados,a única excelência (que está em surpreender)... escolho esse ou aquele lado. E vou. Na cabeça somente o que posso fazer com o melhor de mim. Mas nem sempre esse é o lado que fala mais alto. Mas que os meus caminhos me encaminhem até você, destino. Jamais deixando que os fins justifiquem os meios.

Minha verdade? Tenho uma enorme sede de mim. De poder – no sentido de me provar. Mesmo sabendo que a maior das minhas vontades sempre foi “provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém”, disse Renato Russo, em sabedoria ímpar. Estabeleço limites para superação de barreiras, considerando-as, por vezes, inquebráveis. Sensação meramente momentânea... ou não.

É, eu não desisto.

Minhas atitudes estão sempre ligadas a contextos desconhecidos, o que leva a crença de que inexistem. Não importa. Mas sempre existe um porque por detrás dos meus atos, só não enxerga quem fecha os olhos pra não ver.

O que me faz seguir é essa beleza de encaixar. A cena, personagem, capítulo, até detalhes como posicionamento e corte. Capturar esses momentos é o meu segredo, o que ninguém sabe.

Minha tendência? Casablanca, última cena.

Não desisto dos momentos que fotografei para levar comigo por onde quer que eu vá. Inspirador e melancólico, bem do meu feitio. E parte do que sou. Uma constante crise advinda da convivência com opostos, meus. É o que me faz ser. E faço sentido para mim.

Em suma: EU SOUL.


*O que importa mesmo é a forma que enxergas o mundo. Não o contrário.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Caminhando por entre as pinceladas desse quadro preto e branco. Numa busca insaciável por um nome ao que outrora não fora nomeado. E enxergo atrás desses altos muros que detêm forma arquitetônica gótica que causa, em mim, efeitos quase que épicos por características intimidadoras. Encontro bifurcações por entre essas pedras acinzentadas por onde entram furtivos feixes de luz. Encosto minhas mãos naquelas paredes gélidas que contracenavam com céu nublado, e as imagens sem vida se apagam, uma por uma. De forma vagarosa, deparo-me com o breu das tuas avenidas. Cena essa que desperta, em mim, contradições em série e arrepios, que percorrem por entre dedos, mãos, sobem por meus ombros, sinto-os pesados momentaneamente. Coexistindo, repetidas sensações como calor em oposição à repentina baixa de temperatura, seguido por formigamentos em diversas partes do corpo. Em pensamento transitórias porções (bem servidas) de tormentos. E a fresta por onde observo, e desse campo longínquo hipnotiza-me a 12ª esquina.

Conheço doze esquinas. Entre a primeira e a décima primeira encontram-se meus erros, cena quase familiar. Erros espalhados pelo chão da avenida, alguns formando supostas calçadas, empilhados com formas inovadoras, disfarçando seu conteúdo inapropriado, até hostil. Outros pendurados em hastes, janelas e varais. De forma a tornarem-se menos tangíveis, especialmente para mim. Leia: ‘para você’.

Enquanto corres por entre (linhas), arrisca-se a tropeçar em alguma de minhas falhas. Eis o motivo do jamais pronunciado: “se essa rua, se essa rua fosse minha” evidenciando sentimento quase infantil. Saberia que por lá caminharias. E por mais que corras por entre esses caminhos encontrará meus olhos fixos no mesmo lugar, na 12ª esquina. Esquina que insiste em esconder teus erros. Acreditando jamais deparar-se com os meus.

*Mas quem disse que Brasília não tem esquinas?

Durante todos os dias é onde espero você passar. Contei da minha rua até a sua,12 esquinas. Meu esconderijo encontra-se nessas frestas. Encontrar-me? Busque em uma fresta qualquer. Talvez consertando os erros que são teus. Que, sendo seus... são meus. Agora tampouco prevalece o medo de que nos encontremos. E sim por não encontrar, diante das frestas que apresentam, aberturas grandes o suficiente para seguir contigo.


Positivismo exacerbado:

Transformarei o ambiente em um jardim, cercados de flores e canteiros de amor. Onde a distância é fator inexistente, especialmente entre corações. Someday, somehow.


*Meus passos duram o instante da descoberta de minha realidade incolor.

Vem.