Quer me encontrar?
Não posso dizer onde. Mas posso indicar a direção.
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Estou entre o ir e vir, entre ação e espera, no ponto central da encruzilhada entre o que sei e o que penso saber, contracenando com o que sou e o que pretendo ser. E é nesse lugar que meus movimentos, outrora friamente calculados e estudados tornam-se apenas... Movimentos. Os vestígios das antigas significações desses movimentos desapareceram diante dos meus olhos. E qualquer ação, por menor que seja, pode ser perigosa; tendo em vista esse jogo da vida do qual participamos no momento. Uma análise prévia deve ser feita, com a máxima cautela. Qualquer jogada em falso pode ser fatal.
Eu não tenho mais controle sob essas peças desse tabuleiro, o que me deixa a mercê do que a vida trouxer. O meu corpo se recusa a qualquer manifestação, seja ela física ou psicológica, de tanto ter andado por aí e, por necessidade, apressar o passo por entre pensar – e o pesar – e os mais diversos infortúnios que surgiam de forma mental ou materializada. Correndo pelos ponteiros do relógio e por entre sentimentos escassos ou descabidos, talvez um pouco de cada um. Talvez muito dos dois.
E é no momento em que perpasso por entre esses sentimentos que percebo quão confusa é sua disposição. Fitando-os, não consigo descobrir qual deles deveria (ou devo) atender com prioridade e, por conseguinte, arrisco ignorar o essencial. Esse efeito visa manipular corações cansados, como o meu. Os meus olhos, visivelmente sedentos por uma realidade, são facilmente seduzidos por uma aparentemente tangível. Mas o que é realidade?
Realidade é sentimento.
E o mundo dos sentimentos não é para os fracos. Mas a verdade é que nem os fortes sobrevivem.
Eis a razão da minha exaustão. Não que eu seja a única, tenho consciência de que ninguém aqui saiu ileso. E ninguém, até onde sei, é imune aos males do amor. E é pesando razão e emoção que elejo meus caminhos, aqueles que são aparentemente menos arriscados. Leia “os mais racionais”. E é nessa tentativa preventiva – nesse método primitivo, porém temporário - que evito (teoricamente) maiores danos.
Obter menos pode ser vantajoso, quando o objetivo é não perder tanto.
E quando digo “perder”, digo com toda a amplitude da palavra. Eu sei bem o que essa palavra significa.
E qual é o valor de uma vida assim?
Uma vida enclausurada; contida - exatamente o oposto a tudo que acreditava. Tudo que acredito. Tudo que acreditei. A verdade é que o verbo ainda se confunde. Junto com todo o resto de pensamentos tortuosos que tenho, esporadicamente. Ou não tão esporadicamente assim.
A verdade é que nada é fixo aqui.
A mudança está implícita na frase que não disse, na rapidez oportunista do que digo em contraposição a lentidão inoportuna do que tenho tentado dizer.
E é camuflando sentimentos dos mais estruturados e ignorando suas raízes que sigo com meus dias. Restrinjo-os á comprimidos, daqueles farmacêuticos mesmo, com a função de anestesiar a dor. E não é qualquer remédio, não é qualquer farmácia e, acima de tudo, não é qualquer dor.
E pílulas com alta dosagem de promessas não me satisfazem mais.
O “amanhã” se tornou “hoje” (nada é fixo) mudei de opinião (nada é fixo) e tomei várias delas até encontrar uma frustrada overdose do que acreditava ser você.
Nos terrenos do coração tudo é demasiado instável. Até as palavras se recusam a fluir, acabam meio que na contramão, surgindo de qualquer forma, de qualquer jeito, quase que cuspidas. É essa uma das precauções para que o meu lado racional não manipule sempre o que digo, o que quero dizer, ou seja lá o que isso for. Um desabafo desesperado? Talvez. De uma alma que está cansada de procurar, de esperar, de criar expectativas.
Se alguém me encontrar por aí, me diga quem eu fui um dia. Diga-me qualquer coisa. Quem sabe assim eu me lembre. E me torne o que devo ser.
E aí eu te vi.
Eu te vi e eu...
tão bem te vi.
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· * E agora, de tanto saber, ela esqueceu tudo que aprendeu.
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